Nos últimos meses, decorreram em Lisboa e Málaga dois congressos que abordaram a realidade do sector da medicina estética em Espanha e Portugal. Estes dois eventos reuniram os principais especialistas na área da Medicina Estética, convidados pelas sociedades que agrupam os profissionais da medicina estética em ambos os países. Além de possibilitarem a partilha de novas técnicas e avanços em cada disciplina, estes encontros permitem aos médicos comunicar mensagens que ajudam a ultrapassar alguns preconceitos que ainda persistem na sociedade acerca da realidade da medicina e dos cuidados estéticos, especialmente no que respeita à perspetiva de género: há ainda muitas ideias erradas sobre a medicina estética para homens e a alopécia nas mulheres.

Henrique Machado SPME

O Dr. Henrique Machado durante a sua apresentação no Congresso da SPME

Por outro lado, a tradição cultural da alopécia como problema masculino, evidenciada pelo facto de a maior parte dos homens sofrerem desse problema em algum momento da sua vida, faz com que a presença deste problema nas mulheres seja encarada como uma anomalia maior, o que resulta em pesadas cargas psicológicas para as pacientes, que por vezes as impede até de saber que existem soluções cirúrgicas que podem ser válidas também para elas.

O transplante capilar para mulheres: quais as diferenças

No 2º Congresso Nacional de Medicina Estética de Portugal, organizado pela Sociedade Portuguesa de Medicina Estética (SPME), foi apresentada uma palestra específica sobre os enxertos capilares em mulheres, com o título «Transplante Capilar, a Particularidade do Sexo Feminino».

A alopécia feminina é um grave problema estético que afeta em grande medida a imagem e a autoestima da mulher. Há que considerar que a alopécia nas mulheres, embora possa ter a mesma origem que a dos homens (quando se trata do mesmo tipo de alopécia androgenética) apresenta normalmente um padrão diferente da masculina. Nas pacientes femininas, a alopécia costuma manifestar-se sob a forma de cabelo enfraquecido e amplas zonas com desbaste, embora raramente termine numa calvície total com uma grande superfície sem cabelo. A consequência deste enfraquecimento é um aspeto que, muitas vezes, dá às mulheres uma aparência de doentes, o que, psicologicamente, é muito difícil para elas.

O transplante capilar ou transplante capilar é uma opção válida para que as mulheres possam recuperar o cabelo em casos selecionados, mas é essencial dar uma expectativa realista à paciente para que esta saiba, de antemão, o que pode esperar de um implante e quais serão os resultados a médio e longo prazo (o aspeto final de um enxerto de cabelo só é visível passados vários meses, quando os folículos transplantados já conseguiram gerar novos cabelos).

Devido à gravidade e complexidade do problema, o cirurgião deve conhecer quais as técnicas a utilizar em cada caso para poder conseguir um bom resultado estético com o transplante e oferecer, assim, à paciente o método mais adequado para o seu caso específico. Os elementos que determinam qual a técnica de transplante capilar a utilizar podem ser, entre outros, a qualidade do cabelo na zona doadora (densidade e vigor), o tamanho da área a cobrir na zona recetora (número de folículos que será necessário transferir), e as condições do couro cabeludo onde os enxertos se desenvolverão (a irrigação sanguínea é fundamental para a sobrevivência dos folículos).

Alguns problemas capilares têm mais incidência nas mulheres devido aos maus cuidados ou maus tratos continuados do cabelo por motivos estéticos.

Nesta apresentação, além do Transplante na Alopécia Androgénica Feminina, também foram abordados casos mais específicos de transplantes na mulher, como ocorre no caso de Alopécia Frontal Fibrosante, Alopécia de Tração em Africanos, Alopécia das Sobrancelhas, Alopécia das Pestanas e da zona Púbica. Embora estes problemas sejam menos habituais do que a perda de cabelo comum, nos últimos anos tem vindo a registar-se uma maior procura por este tipo de intervenções. Algumas destas situações têm como causa os maus tratos continuados do cabelo devido a práticas inadequadas (penteados e produtos agressivos que enfraquecem o cabelo, depilações e intervenções estéticas que levam à perda de cabelo, etc.), mais habituais entre as mulheres do que entre os homens.

A medicina estética masculina: para além dos enxertos capilares.

Henrique Machado SEME

O Dr. Henrique Machado moderou a Mesa da sessão sobre Estética Masculina no Congresso da SEME

O 33º Congresso Nacional da Sociedade Espanhola de Medicina Estética (SEME) convidou o Dr. Henrique Machado para realizar a moderação da Mesa da sessão intitulada «Medicina Estética Masculina». Esta foi uma das sessões mais concorridas do congresso, o que evidencia que a medicina estética no homem é um campo de grande crescimento e interesse entre os profissionais médicos.

Nas intervenções, destacou-se que cada vez mais homens recorrem às soluções oferecidas pela medicina estética, sendo os enxertos de cabelo um dos tratamentos estéticos mais comentados.

Revitalizando o couro cabeludo é possível recuperar o cabelo

Foram abordadas várias formas de combater a alopécia nos homens, a começar pelos tratamentos médicos mais seguros e que cada vez obtêm melhores resultados. Entre eles, foram referidas as infiltrações por mesoterapia, os autotransplantes de fatores de crescimento, ou o laser de baixa intensidade.

Todos têm em comum o objetivo de permitir que o couro cabeludo restabeleça o funcionamento dos folículos danificados, permitindo a regeneração do cabelo. Falou-se ainda sobre o transplante capilar que, nas suas diferentes técnicas, pode ser utilizado de forma complementar com as soluções acima mencionadas para melhorar os resultados e permitir uma maior sobrevivência do cabelo enxertado.

Em resumo, a medicina estética goza de muito boa saúde e as perspetivas que se abrem a partir das investigações mais inovadoras e dos novos tratamentos e técnicas para os próximos anos são muito encorajadoras, tanto para homens como para mulheres.

doctor henrique machado

 

por Dr. Henrique Machado
Número colegiado – 36/3607443
Responsável médico do centro Svenson de Lisboa, é cirurgião capilar da Svenson em Portugal.

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